
A escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã acendeu um alerta nos mercados internacionais, especialmente no petróleo e futuramente pode atingir o setor de energia. A ofensiva militar recente elevou o risco de instabilidade no Oriente Médio, região estratégica para a produção e o transporte global de petróleo, o que já começa a pressionar os preços da commodity e gerar efeitos indiretos na economia mundial.
Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta. Qualquer interrupção ou restrição ao tráfego na região pode provocar alta nos preços internacionais do petróleo, com impactos em combustíveis, inflação e custos industriais em diversos países, incluindo o Brasil.
De acordo com Victório Duque Semionato, membro da Câmara da Indústria de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o momento exige cautela na análise dos desdobramentos do conflito. Segundo ele, os efeitos ainda são recentes e o cenário internacional permanece altamente sensível a novos acontecimentos. “Os impactos imediatos exigem muita cautela. As interferências são extremamente elevadas e as políticas precisam ser analisadas com muita criticidade”, avaliou.
No setor de petróleo e gás, o impacto direto para o Brasil tende a ser mais limitado no curto prazo. Desde 2019, o país é produtor líquido de petróleo, com forte presença de operações offshore e participação relevante da Petrobras no mercado internacional. Além disso, grande parte das exportações brasileiras de petróleo e derivados tem como destino a Ásia, especialmente a China, o que reduz a dependência de rotas comerciais do Oriente Médio.
Ainda assim, a alta do petróleo pode gerar efeitos econômicos relevantes. Combustíveis mais caros pressionam custos logísticos, transporte e produção industrial, além de influenciar a inflação. Analistas apontam que um aumento sustentado da cotação do Brent acima de US$ 85 pode impactar os índices de preços e alterar expectativas de política monetária no Brasil.
Por outro lado, preços mais elevados do petróleo também podem fortalecer receitas do setor energético brasileiro e melhorar o desempenho de empresas do segmento, o que tende a amenizar parte dos efeitos negativos no mercado financeiro.
Para Minas Gerais, os reflexos podem ocorrer principalmente de forma indireta, tanto pelo aumento de custos energéticos quanto pelas possíveis alterações no comércio internacional de commodities. Nesse contexto, especialistas destacam a importância de acompanhar a evolução do cenário geopolítico e seus efeitos sobre as cadeias globais de energia e abastecimento.
Fontes: Rede 98 e InfoMoney.